Pular para o conteúdo
  1. Home
  2. ›
  3. Marca e Posicionamento
  4. ›
  5. Caso de sucesso
Marca e Posicionamento

Caso de sucesso que vende: como produzir um que o comprador acredite

É o formato mais pedido pelo comercial e o mais mal executado. Produzir um decente exige três coisas desconfortáveis: permissão, números reais e admitir o que deu errado no caminho.

Cleber Barbosa
13 min de leitura
2.562 palavras
Caso de sucesso que vende: como produzir um que o comprador acredite — capa do artigo
Capa: MarketingABM

Caso de sucesso é o formato de conteúdo mais pedido pelo comercial e o mais mal executado em B2B brasileiro. A versão típica tem três parágrafos, um depoimento genérico e nenhum número — e não convence ninguém que esteja de fato avaliando fornecedor.

O motivo não é falta de habilidade de escrita. É que produzir um caso decente exige três coisas desconfortáveis: permissão, números reais e admitir o que deu errado no caminho.

Este artigo é sobre como conseguir as três e o que fazer quando você não consegue.

Por que a maioria não funciona

Quatro padrões que se repetem.

Não tem número. "O cliente ficou muito satisfeito e melhorou seus processos" não prova nada. Quem está avaliando quer saber quanto, em quanto tempo, comparado a quê.

É sobre você, não sobre o cliente. Casos escritos do ponto de vista do fornecedor descrevem o que a empresa entregou. O leitor quer saber o que o cliente enfrentava e o que mudou para ele.

Não tem atrito. Tudo correu perfeitamente, ninguém teve dúvida, a implantação foi tranquila. Comprador experiente sabe que não é assim, e a ausência de qualquer dificuldade torna o relato menos crível, não mais.

Não descreve o contexto. Sem porte, setor e situação da empresa, o leitor não consegue avaliar se aquilo se aplica ao caso dele — que é a única pergunta que ele está fazendo.

O teste do leitor cético

Leia o seu caso imaginando que você é o comprador avaliando três fornecedores. Você acreditaria? Você conseguiria repassar isso ao seu diretor como argumento? Se a resposta for não, o caso não está pronto — por melhor que esteja escrito.

Conseguir a permissão

É o gargalo real. A maior parte dos casos que não existem não existe porque ninguém pediu, ou porque pediram tarde e mal.

Peça no contrato, não depois

A cláusula de autorização de uso do nome e do caso, incluída na assinatura, resolve o problema na origem. Nesse momento a relação está no melhor ponto e a discussão é abstrata.

Pedir depois, quando o cliente já está satisfeito, funciona menos do que parece: a solicitação passa pelo jurídico, pelo marketing dele, e frequentemente morre por falta de prioridade de alguém que não ganha nada com aquilo.

Facilite ao máximo

Não peça que o cliente escreva. Ofereça uma conversa de trinta minutos, você escreve, ele aprova. A diferença de taxa de aceite entre as duas abordagens é grande.

Mande o texto pronto, com os números destacados para conferência, e um prazo generoso. Quanto menos trabalho para ele, maior a chance.

Ofereça algo em troca

Não dinheiro — visibilidade. Um caso bem escrito é conteúdo que o cliente também usa: ele mostra internamente que o projeto deu certo, e a pessoa que patrocinou aparece como quem tomou a decisão acertada.

Vale dizer isso explicitamente no pedido. Frequentemente é o argumento que destrava.

Quando não conseguir o nome

Um caso anônimo bem construído vale muito mais que nenhum caso. "Uma indústria de alimentos com quatro plantas no Sudeste" comunica quase tanto quanto o nome, e não exige aprovação.

Cuidado com um detalhe: se a descrição for específica demais, a empresa é identificável mesmo sem nome — o que anula a proteção e pode gerar problema. Vale conferir com o cliente mesmo na versão anônima.

Conduzindo a conversa com o cliente

Trinta minutos bem usados produzem material para o caso inteiro. Trinta minutos mal usados produzem elogios genéricos que você não consegue usar.

O que não perguntar

"O que você achou do nosso serviço?" convida a uma resposta educada e inútil. "Ficou satisfeito?" idem. Perguntas sobre você produzem respostas sobre você, e o caso precisa ser sobre o cliente.

As perguntas que rendem

"Como era antes, num dia normal?" Pede uma cena concreta em vez de uma avaliação. É de onde saem os detalhes que tornam o caso reconhecível.

"O que vocês já tinham tentado?" Revela por que a solução era necessária e antecipa a objeção de fazer internamente.

"O que quase fez vocês desistirem?" Pergunta desconfortável e a que mais rende. A resposta é o bloco de atrito, que é o que torna o caso crível.

"O que você diria para alguém na sua situação?" Produz a citação utilizável, porque a pessoa fala para um par e não para você.

"O que não mudou?" Delimita o resultado com honestidade e evita que o caso pareça exagerado.

Dois cuidados operacionais

Grave, com autorização explícita no início. Anotar enquanto conversa faz você perder as frases boas, e são as frases literais que dão vida ao texto.

Não corrija o vocabulário do cliente. Se ele chama de "a papelada", não troque por "documentação do processo". A linguagem real dele é o que faz outro comprador se reconhecer.

Os números

É o que separa caso de depoimento. Três regras.

Diga a metodologia. "Reduziu o tempo de resposta em 40%" é fraco. "O tempo médio entre a abertura do chamado e o primeiro atendimento caiu de 6 para 3,5 horas, medido nos três meses antes e nos três meses depois da implantação" é forte — porque pode ser questionado, e resistir a questionamento é o que dá credibilidade.

Use o número do cliente, não a sua estimativa. Se você calculou o benefício com premissas suas, diga isso. Apresentar estimativa como medição é o tipo de coisa que destrói confiança quando descoberto.

Se não houver número, diga o que houve. Alguns resultados não são quantificáveis com honestidade. Nesse caso, descreva a mudança concreta de processo: "antes, o relatório mensal levava três dias para ser montado a partir de quatro planilhas; agora sai automaticamente". Isso é verificável e comunica bem.

O que fazer quando o número é ruim

Situação comum e pouco discutida: o projeto deu certo e o número não impressiona. Melhoria de 12% não vende como melhoria de 200%.

Duas saídas honestas. Contextualize — 12% pode ser enorme dependendo da base. Ou mude o eixo: talvez o ganho real não tenha sido percentual, e sim ter passado a enxergar algo que antes era invisível.

A saída desonesta é escolher a métrica que ficou melhor por acaso. Comprador experiente reconhece quando o número apresentado não é o que importaria.

Os seis blocos, na ordem certa

Seis blocos, nesta ordem.

1. Quem é o cliente, em duas linhas. Setor, porte, estrutura relevante. É o que permite ao leitor decidir se aquilo se aplica a ele — e portanto se vale continuar lendo.

2. A situação antes. O problema descrito com a linguagem de quem o vivia, não com o vocabulário da sua solução. Quanto mais concreto, melhor: quantas pessoas envolvidas, quanto tempo consumia, o que dava errado.

3. O que foi tentado antes. Bloco frequentemente ausente e muito valioso. Se o cliente já tinha tentado resolver de outra forma e não deu certo, isso explica por que a solução era necessária — e antecipa a objeção "não dá para fazer internamente?".

4. O que foi feito. Concreto e cronológico. Quanto tempo levou cada etapa, quem participou de cada lado, o que precisou ser preparado.

5. O que deu trabalho. O bloco mais desconfortável e o que mais aumenta credibilidade. Toda implantação tem atrito — uma integração que demorou, uma resistência interna, uma etapa que precisou ser refeita. Contar isso torna o resto crível.

6. O resultado, com metodologia. Números, período de medição, e o que não mudou.

Note que o resultado vem por último. A tentação é abrir com ele, e isso transforma o caso em anúncio — o leitor entra em modo defensivo antes de conhecer o contexto.

Quantos casos, e sobre o quê

A intuição diz que mais casos é melhor. Na prática, o que importa é cobertura de perfil.

Um comprador quer ver uma empresa parecida com a dele. Cinco casos do mesmo setor e porte valem menos que três casos de três setores diferentes, se o seu mercado é diverso.

A pergunta de planejamento: quais são os três ou quatro segmentos que mais aparecem no seu pipeline? Cada um merece pelo menos um caso.

Um caso de empresa muito maior que o prospect frequentemente atrapalha — ele conclui que a solução é para outro porte. Priorize por semelhança, não por prestígio do nome.

Onde o caso vive

Um bom caso rende em vários formatos, e a maioria das empresas produz só um.

FormatoUsoObservação
Página no siteBusca e repasseSem formulário — precisa circular
Uma página em PDFAnexo de propostaDeve funcionar sem contexto
Bloco curtoDentro de artigos e páginas comerciaisTrês linhas e um número
SlideApresentação comercialUm caso por slide, número em destaque
Vídeo com o clienteProva mais forte que existeCaro e difícil de conseguir

Sobre o formulário: bloquear caso atrás de cadastro é o erro mais comum. Em B2B, quem pesquisa salva e repassa a quem decide — e o formulário mata exatamente essa circulação, que é o principal mecanismo de propagação dentro da empresa do cliente.

Como o caso é encontrado na busca

Casos ranqueiam melhor do que se imagina, se forem escritos para isso.

O título deve conter o segmento. "Como uma indústria de alimentos com quatro plantas reduziu o tempo de ordem de serviço" é buscável por quem se reconhece no perfil. "Case de sucesso: cliente X" não é buscado por ninguém.

O problema deve aparecer com o vocabulário do mercado. Quem busca não conhece o nome da sua solução; conhece o sintoma.

Casos são bem extraídos por sistemas de resposta. Situação, ação e resultado, com números atribuídos, é uma estrutura que esses sistemas consomem bem — e uma pergunta como "alguém já resolveu X em indústria de alimentos?" tem poucos candidatos a resposta.

O que precisa estar por escrito

Uma parte que costuma ser tratada informalmente e vale formalizar, porque o custo de fazer certo é baixo e o de fazer errado não é.

Autorização de uso do nome e da marca. Usar o logotipo de uma empresa exige permissão explícita. Um "pode publicar" verbal do gerente de projeto não é autorização da empresa — e a pessoa que autorizou pode sair.

Aprovação do texto final, não do rascunho. Alterações depois da aprovação, mesmo pequenas, invalidam o aval. Se você mexeu no texto, mande de novo.

Escopo do uso. Onde o caso pode aparecer: site, apresentação comercial, mídia paga, evento. Algumas empresas autorizam o site e não a publicidade paga.

Prazo e revogação. Vale combinar por quanto tempo vale a autorização e como o cliente pede a retirada. Um caso publicado indefinidamente sobre uma empresa que trocou de fornecedor é problema anunciado.

Os números específicos. Se o caso menciona resultado financeiro ou operacional, a aprovação precisa cobrir explicitamente esses números — não apenas o texto em geral.

Um e-mail com o texto final anexado e a resposta "aprovado" de alguém com autoridade resolve a maior parte disso. O importante é que exista registro, e que quem aprovou possa autorizar em nome da empresa.

Quando você não tem caso nenhum

Situação real em empresa nova, ou em empresa cujos clientes não autorizam. Quatro alternativas legítimas.

Caso anônimo com contexto rico. Já mencionado, e é a melhor alternativa.

Caso agregado. "Entre os clientes que implantaram o módulo X nos últimos dois anos, o padrão observado foi..." Com metodologia descrita e amostra informada, é honesto e frequentemente mais convincente que um caso isolado.

Prova de processo em vez de resultado. Descrever com precisão como a implantação funciona, semana a semana, com o que costuma dar errado. Não é caso, e remove risco percebido de forma parecida.

Caso interno. Se a sua empresa usa o próprio produto para resolver o próprio problema, isso é um caso — com a ressalva explícita de que é interno.

O que não fazer

Vale ser direto: não invente caso, e não escreva sobre empresa com quem você não tem relação.

Um texto intitulado "como a empresa X usa nossa abordagem", sobre uma companhia que não é sua cliente e sem fonte pública para as afirmações, cria três problemas de uma vez. Pode ser lido como alegação de relação comercial que não existe. Pode ser contestado pela própria empresa. E, quando descoberto, contamina a credibilidade de todo o resto do site — inclusive dos casos que são verdadeiros.

Se a informação vem de uma fonte pública — uma palestra, uma reportagem, um relatório —, o formato correto é outro: análise citando a fonte, com link e data, e sem sugerir envolvimento. Isso é legítimo e continua sendo conteúdo útil.

Casos em operação de contas

Em ABM, o caso deixa de ser conteúdo que espera ser encontrado e passa a ser material dirigido — o que muda a forma de produzir.

A prioridade é por segmento da lista, não por prestígio. Se metade das suas contas-alvo é do setor de alimentos, um caso desse setor vale mais que um caso de uma empresa famosa de outro ramo. O comprador precisa se reconhecer.

O caso vira material de abertura. Enviado antes da primeira conversa, ele responde a objeção de familiaridade — "vocês entendem do nosso contexto?" — antes que ela apareça.

Ele circula dentro do comitê. É provavelmente a peça que mais é repassada internamente na empresa do cliente, porque é a que a pessoa que defende a compra usa para convencer os outros. Isso reforça duas exigências: precisa funcionar fora de contexto, e não pode estar atrás de formulário.

Vale produzir a versão de uma página. Um documento curto, com contexto, ação e resultado, que caiba num anexo de e-mail e sobreviva a ser colado num slide de apresentação interna. É o formato que mais é usado e o que menos gente produz.

Uma consequência de planejamento: se a lista de contas está concentrada em três segmentos, você precisa de três casos — não de trinta. E conseguir esses três é um objetivo concreto, com nomes de clientes específicos a quem pedir, em vez de uma meta vaga de "produzir mais casos".

Manutenção

Caso envelhece de três formas, e todas são corrigíveis.

O cliente sai. Se a empresa deixou de ser cliente, manter o caso publicado é no mínimo desatualizado e pode gerar constrangimento. Vale uma revisão anual conferindo se todos os casos publicados ainda são de clientes ativos.

Os números ficam antigos. Um resultado de quatro anos atrás perde força. Se a relação continua, vale atualizar — e um caso com dados de dois momentos diferentes é mais forte que um instantâneo.

A pessoa citada muda de empresa. O depoimento continua válido, e vale conferir se a permissão continua. O mais seguro é ter a autorização da empresa, não só da pessoa.

O primeiro caso, em duas semanas

  1. Escolha o cliente certo. Não o maior — o que teve resultado claro, gosta de você, e é de um segmento que aparece no seu pipeline.
  2. Levante os números antes de pedir a conversa. Se você chegar com os dados já organizados, a reunião fica mais curta e o cliente percebe que você fez o trabalho.
  3. Faça uma conversa de trinta minutos. Perguntas sobre a situação antes, o que já tinham tentado, o que deu trabalho, e o que mudou.
  4. Escreva você. Nos seis blocos, com o resultado por último.
  5. Mande para aprovação com os números destacados. Prazo generoso, e ofereça remover qualquer coisa que incomode.
  6. Publique sem formulário e avise o comercial que existe.

Esse último passo é o mais esquecido. Um caso que o time de vendas não sabe que existe não é usado — e o uso em negociação costuma ser o maior valor da peça, muito acima do tráfego que ela traz.

Perguntas frequentes

Como conseguir autorização para publicar um caso de sucesso?

Peça no contrato, não depois — nesse momento a relação está no melhor ponto e a discussão é abstrata. Facilite ao máximo: uma conversa de trinta minutos, você escreve, ele aprova. E ofereça visibilidade, porque um caso bem escrito também serve ao cliente internamente.

O que um caso de sucesso precisa ter?

Seis blocos: quem é o cliente em duas linhas, a situação antes na linguagem de quem vivia, o que já tinha sido tentado, o que foi feito, o que deu trabalho, e o resultado com metodologia. O resultado vem por último — abrir com ele transforma o caso em anúncio.

Posso escrever um caso sem citar o nome do cliente?

Sim, e vale muito mais que nenhum caso. "Uma indústria de alimentos com quatro plantas no Sudeste" comunica quase tanto quanto o nome. O cuidado é não ser específico a ponto de a empresa ficar identificável, o que anula a proteção.

O que fazer quando não tenho nenhum caso?

Quatro alternativas legítimas: caso anônimo com contexto rico, caso agregado com metodologia descrita, prova de processo em vez de resultado, ou caso interno declarado como tal. O que não fazer é escrever sobre empresa com quem você não tem relação.

Continue lendo

Mais artigos sobre Account-Based Marketing por Cleber Barbosa